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Conheça o projeto Gelo Solar, no interior do Amazonas

Publicado por focs em 22/09/2015 às 11h26

Um simples cubo de gelo pode não representar muita coisa para quem vive em cidades estruturadas, com acesso à energia elétrica e tecnologia. Mas, para os moradores da comunidade Vila Nova do Amanã, no Município de Maraã (distante 634 quilômetros de Manaus), o gelo representa qualidade de vida e causa impacto direto na produção e  armazenamento dos alimentos. 

Sem a produção de gelo por falta de acesso à energia, os ribeirinhos navegavam três horas de canoa motorizada e quase oito de barco regional até a cidade mais próxima - Tefé.  Cada família gastava em média R$ 300 na logística. Agora, com o projeto “Gelo Solar: tecnologia para conservação de alimentos em comunidades isoladas da Amazônia”, os moradores contam com três máquinas movidas a placas fotovoltaicas que produzem 90 quilos de gelo diariamente.  

Antes, eles tinham dificuldades para conservar os peixes e armazenar a produção de açaí e polpas de frutas,  principais fontes de renda dos ribeirinhos. “Eu acho que essas máquinas vão melhorar 100% a nossa vida. Ao invés de a gente trazer quatro caixas de gelo da cidade, vamos trazer só uma para conservar os alimentos no caminho até chegar aqui”,  conta Lucinete Pereira, moradora da Vila Nova. 

Aos poucos a comunidade tem se tornado modelo de sustentabilidade na região. Esta é a terceira tecnologia social implantada pelo Instituto Mamirauá no local. A primeira foi um sistema de abastecimento de água movido a placas fotovoltaicas.

Depois, a equipe do instituto instalou um campo de futebol, que durante a noite é iluminado com energia solar. A mais recente inovação é  o ‘Gelo Solar’, projeto pioneiro no Amazonas e totalmente sustentável, conforme explica o engenheiro mecânico e pesquisador do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP),  Aurélio Souza. 

“O projeto de implantação de máquinas para produzir gelo com energia solar foi pensado há quase dois anos. A ideia de implantar na região Norte casou bem com a necessidade da população, que vive isolada, distante das redes de energia conectadas a grandes geradores”. 

 

 

 

 

Normalmente, as comunidades ribeirinhas utilizam geradores movidos a diesel - energia cara e “suja” - para suprir as necessidades.“A energia vem de geradores doados que  funcionam apenas para o básico, geralmente das 18h às 22h. Quem tem um poder aquisitivo melhor, liga o freezer para gelar uma água, mas geralmente eles usam para a iluminação da casa durante a noite ou assistir uma novela ou um jogo de futebol. Na maior parte do dia eles ficam sem energia”, conta  Ademir Reis, um dos técnicos responsáveis pela instalação das máquinas de gelo. 

Para ele, a satisfação em ver um sorriso no rosto dos moradores, que agora podem tomar água gelada durante as refeições, é impagável. "É uma satisfação  muito grande  estar levando  para a comunidade essa tecnologia. É claro que a gente gosta muito do que faz, mas esse benefício que a comunidade está recebendo é um avanço muito grande. A gente conduziu da melhor forma possível, pois a expectativa e a alegria deles em receber essas máquinas era enorme".

Através da gestão da comunidade,  a equipe espera que outros projetos sejam realizados para replicar as instalações das máquinas. "Assim vamos agregando valor na produção e  trazendo um certo conforto a eles. Eles comentam que o ideal seria ter energia solar 24 horas, mas já estão bastante satisfeitos em beber uma água geladinha". 

O equipamento foi desenvolvido em uma tese de doutorado da Fapesp.  A água da chuva é captada, tratada com um sistema também movido a energia solar, e transformada em gelo renovável.  “Esse projeto piloto tem essa pretensão, de demonstrar viabilidade e ganhar escala para que políticas públicas possam abraçar a ideia, alavancar e incrementar resultados obtidos aqui”, complementa o pesquisador Aurélio Souza.

Em 2014, uma das maiores empresas de busca na Internet do mundo, o Google, promoveu no Brasil o Desafio de Impacto Social Google. A iniciativa apoiou organizações não governamentais que trabalham para solucionar problemas sociais e gerar impacto por meio da tecnologia. Com o prêmio de R$ 500 mil, o Instituto Mamirauá colocou em prática a tecnologia.

Energia renovável é objetivo global

 Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos está entre  os 17  Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) que serão firmados pela Organização das Nações Unidas (ONU) no final do mês, em Nova Iorque. 

O objetivo de número 7 tem como meta assegurar, até 2030, o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia; aumentar a participação de energias renováveis na matriz energética global; dobrar a taxa global de melhoria da eficiência energética e reforçar a cooperação internacional para facilitar o acesso a pesquisa e tecnologias de energia limpa, incluindo energias renováveis.

Solução para comunidades isoladas da Amazônia

Disseminar o uso da energia solar nas comunidades da região também é um dos objetivos do projeto. “A região Norte tem uma carência energética  muito grande. Precisamos mudar esse modelo de abastecimento baseado no diesel, que é altamente poluente, insustentável e não tem nada a ver com essa região”, ressalta o pesquisador da USP,  Aurélio Souza. 

De acordo com a socióloga e pesquisadora do Instituto Mamirauá, Ana Claudeise, o acesso à energia elétrica é uma condição importante para o desenvolvimento econômico e para melhoria da qualidade de vida de quem vive na região amazônica. “Na região do médio Solimões, o fornecimento de energia elétrica para áreas rurais é feito através de pequenas termelétricas a diesel com alto custo de operação, manutenção e distribuição de combustível, e uma baixa eficiência na produção de energia, em média, quatro horas diária”.

 

Fonte: A Crítica

 

Categoria: Energia, Sociedade
Tags: energia solar

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